terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Orson Welles Filmou Um Clássico No Brasil - Será Verdade?



Na década de 1940, a política da boa vizinhança foi instituída pelos Estados Unidos para poder consolidar seu poderio econômico e hegemonia cultural em países da América Latina (ou seja, o Brasil e o restinho da América). Ao norte do hemisfério já era Carmen Miranda quem havia se tornado a mais bem-paga atriz dos Estados Unidos através de seus honorários em direitos autorais de chapéus, roupas e tamancos.

Aqui no Brasil, no dia 13 de fevereiro de 1942, Orson Welles aportou para filmar dois episódios de It’s All True (É Tudo Verdade). O primeiro era sobre o carnaval e suas influências como samba e candomblé; o segundo é uma história feita em homenagem a quatro jangadeiros cearenses que realizaram uma façanha homérica. No ano anterior, Welles havia lido na revista Time uma reportagem sobre a travessia por mar de 1000 milhas feita pelos jangadeiros de Fortaleza Manuel Olímpio (o Jacaré), Jerônimo de Sousa, Raimundo Lima e Pereira da Silva para a então capital federal Rio de Janeiro. Foram pedir providências a Getúlio Vargas sobre os seus direitos previdenciários – que o ditador prometeu dar e não cumpriu.

O problema deste filme, rodado durante seis meses de 1942 e nunca lançado, é que ele foi dirigido por um dos mais influentes cineastas do século XX, o polêmico Orson Welles. Parece que o gênio, então com 26 anos, comprou briga com Getúlio Vargas e Nelson Rockefeller. E isto aconteceu logo após ele ter adotado Hollywood como seu autorama particular para experimentações, levantando a ira de celebridades e chefões.

É Tudo Verdade tentaria desmontar o estereótipo hollywoodiano do negro e do latino-americano. Ele iria tentar conectar a história desses povos à cultura negra norte-americana durante o segmento final (a única parte do filme que não chegou a ser filmada) estrelado por Louis Armstrong que contaria a gênese comum do samba e do jazz...

Um motivo implícito pelo qual o diretor de Cidadão Kane - um dos mais influentes filmes de todos os tempos - ter vindo parar no Brasil foi estar sendo perseguido pelo biografado no clássico, Willian Randolph Hearst, dono de um império midiático naqueles tempos, o grupo Time. As revistas de fofoca cinematográfica de maior circulação nos Estados Unidos naquela época pertenciam a Hearst que, através de chantagens com Hollywood, conseguiu plantar o nome de Welles na lista dos comunistas de carteirinha que o FBI já investigava uma década antes da caça às bruxas.

E você acha que Welles chegou aqui e foi andar com quem? Vinícius de Morais, recém-admitido embaixador no Itamaraty foi um que não saía de perto do ícone. Herivelto Martins e Grande Otelo além de companheiros de filmagem eram companheiros de noitadas em favelas cariocas. Herivelto (diretor musical) e Otelo (personagem principal de um dos segmentos) estranhavam a atitude do gringo que enchia a cara de cachaça até às cinco da manhã e às oito horas exigia a presença de todos no set de filmagem. Os brasileiros levavam rotina de Cassino da Urca e nunca acordavam antes do meio-dia, o que levava Welles à beira de um ataque de nervos.

Mas foi a simpatia do cineasta americano pelo jangadeiro Jacaré o que realmente incomodou o governo brasileiro, pois Jacaré estava sendo acusado justamente de...Comunista pelo DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda da ditadura Vargas). Quando Welles filmou os quatro jangadeiros originais numa re-encenação da viagem feita no ano anterior do Ceará-Rio de Janeiro, Jacaré acabou falecendo num trágico acidente na Baía de Guanabara. Welles ficou comovido e mais determinado que nunca, criou outro segmento contando as trágicas condições em que os jangadeiros cearenses viviam naqueles tempos.


Pra tentar mudar a maré, saiu do Rio e foi morar em Fortaleza por mais de um mês, onde rapidamente escreveu e dirigiu o roteiro enquanto convivia e filmava cenas com pescadores que nunca haviam visto um filme na vida. Com apenas dez mil dólares no bolso, retratou o cotidiano daquela gente sofrida, o trabalho das mulheres tecelãs, e encenou a morte de um jangadeiro no mar, seu funeral na aldeia e o futuro incerto de sua jovem viúva. O diretor não terminou de editar a obra, pois o filme foi confiscado pela RKO, que depois foi vendida para a Paramount. Onde em 1958 uma funcionária teria queimado a maior parte dos rolos em Technicolor na sequência de It's All True onde Grande Otelo aparece. Aparentemente a ordem tinha origem no medo dos estúdios serem processados por direitos autorais em filmes não-lançados. Será verdade que não sobraram tomadas das cenas com Grande Otelo?

A sequência supostamente destruída de É Tudo Verdade contava a origem do carnaval carioca e foi filmada em vários locais da cidade. A Praça Onze, que havia sido demolida no ano anterior para dar lugar à Avenida Presidente Vargas foi reconstruída em estúdio, fato que obviamente levantou a ira do ditador. Outros segmentos filmados na então capital federal tiveram palco no Cassino da Urca, local bastante frequentado por Welles, onde até teve calorosos romances, como a cantora Linda Batista.

Já escutei pessoas dizendo que a tomada mais bonita desta sequência mostra um ritual de aquecimento de tamborins de couro de gato recém-esticado numa enorme fogueira. No documentário É Tudo Verdade de 1993, o filho de Herivelto Martins, Peri Ribeiro, que contracenou com Grande Otelo no filme, diz que Welles fez o que nenhum outro homem havia feito pelo Brasil: mostrar o país como realmente era - o que acabou sendo o motivo do fracasso do projeto.

Otelo e Peri.

A carreira de Welles ficou manchada pelo fato de terem lhe dado um milhão de dólares para gravar um filme que só não terminou por birra dos próprios estúdios. E será verdade que também por censura do governo brasileiro?

Welles comentou em entrevista ao crítico de cinema, André Bazin: “ (...) fizeram outra versão, modificando todas as idéias e refazendo tudo ao modo deles. Eu tinha rodado durante seis meses, mas o estúdio RKO me despediu”.

Com o passar dos anos, ele não teve mais propostas de controlar um projeto em seu próprio país e em 1946 já estava morando na Europa. Recentemente, em 2009, uma ex-secretária do governo brasileiro me contou que na década de 1950, viajou num avião fretado por Assis Chateaubriand para ir numa festa em um castelo nos arredores de Paris. De repente ela pisou num bêbado que estava obstruindo o caminho deitado no chão. Veio a saber mais tarde que o bebum era Orson Welles.

Os brasileiros sempre tiveram ótimas impressões do cineasta que veio aqui e enturmou-se com a cultura local, tomava todas com os artistas e exaltava o sentimento ufanista em voga pelo Estado Novo narrando o aniversário do presidente em programa de rádio ao vivo para os EUA. Welles chegou inclusive a marcar território em Itabirito, Minas Gerais, onde parou o carro para urinar à beira do rio Itabira, próximo onde hoje existe um busto seu, feito pelo artista local Genin Guerra.

Momentos itabiritanos: água no joelho e busto.

Apesar de ter feito seu meio de campo tão bem no país do futebol, anos depois Welles confessou a seu amigo Paul Mazursky que quando foi enviado para cá, o último país do mundo que gostaria de ter ido seria o Brasil.

Já o filme É Tudo Verdade ficou perdido por mais de 60 anos, até que um estudante de cinema da UCLA (Universidade da Califórnia) encontrou os rolos ainda sem editar num arquivo da RKO. Mesmo assim, It’s All True não foi lançado até hoje, verdade?

Em 1993, Bill Krohn, Myron Meysel e Richard Wilson vieram ao Brasil saber como andavam os jangadeiros e Grande Otelo. O resultado é o documentário homônimo It's All True onde montaram o segmento Quatro Homens Numa Jangada com trilha sonora nova.

Aqui um trecho do filme - sem legenda - onde o diretor expõe sua vontade em terminar o filme:



Como o filme não é encontrado em DVD e muito menos para baixar com legenda em português, dois nerds piratas resolveram traduzir a legenda do espanhol para compartilhamento livre.

Link da legenda. Em breve o torrent - por enquanto o filme está apenas no dreamule num arquivo de 705 Megabytes com o nome Orson.Welles.-.It'S.All.True.-.Lost.Film.Footage.(En.Divx.Mp3).Prov.By.Tastemaker.Rip.By.Richter )

Há diversos trabalhos acadêmicos e obras cinematográficas sobre It's All True - o filme que não aconteceu - incluindo um curta ficcional americano e três do cineasta brasileiro Rogério Sganzerla - Nem Tudo É Verdade (1986), Tudo É Brasil (1997) e O Signo do Caos(2005). Uma obra escrita sobre o tema é It's All True: Orson Welles' Pan-American Odyssey, de Catherine Benamou, professora no departamento de estudos étnicos da Universidade de Michigan. Em 2006, a professora disse que nos arquivos da UCLA, na Califórnia, repousa vasto material ainda não devidamente preservado e editado dos três primeiros episódios.

O catálogo da Cinemateca Brasileira acusa uma cópia do filme. Será verdade? Resta aos nerds ir investigar. Por mais que pareça mentira, a verdade é que ninguém ainda viu o It's All True de 1942...

Breve aqui, a coletânea Orson Welles e o Samba-Verdade...


Texto elaborado por João Perdigão e minha amiga dalém-mar, que escreve no blog arthropophagyas (lá você encontrará a versão em inglês desse texto).





quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Você é Tilelê?

Hoje fui ao Google e pesquisei sobre "movimento tilelê", só encontrei duas referências. Já tinha pensado em escrever sobre o tema, mas tive medo. Hoje fui num show do gênero, categorizei alguns aspectos e tomei coragem. Espero não ser mal compreendido em minha análise social.

É um pessoal que gosta de ouvir som de batuque. Não é deboche, é constatação. Definitivamente não é o que eu escuto, mas claro que já fui em diversas festas do gênero. E escuto coisas que têm estas influências sim. Contrariando o que pensei que fosse ver, gostei de ir lá, gente bonita e sorridente.

O uso do termo tilelênico se dá em Minas Gerais, onde a cantora Titane compôs uma música com um refrão onomatopeico de Tilelê pra lá e Tilelê pra cá. Daí Maurício Tizumba e uma geração de músicos montanheses adotou o estilo - de Marina Machado a Tambolelê, Sérgio e Saci Pererê.

Os Tilelê não gostam ser chamados assim, pois a sonoridade de seus tambores não carrega apenas influências de Clube da Esquina, mas também dos batuques maracatônicos pós-Chico Science...

Listinha de costumes-base do Movimento Tilelê - em constante transformação:

01) Entender sobre tambores dos mais variados timbres e sempre citar Naná Vasconcelos como o maior percussionista do mundo;

02) Exaltação da cultura afro, assim como a exaltação nacional do seu estado;

03) Dread ou lenço na cabeça (homem ou mulher) - ou dread + lenço tudo junto;

03) Roupa branca ou colorida - saia ou calça de chita;

04) Somaterapia (Capoeira e a Anarquia como religião)

05) Esquerda Festiva - galera sempre presente nos Foruns Sociais Mundiais ou congressos universitários em geral;

06) Santo Daime;

07) Você não odeia Axé Music;


09) As pessoas costumam dançar alegremente como se lhes tivesse baixando a própria Pombajira naquele momento...

10) Hippie-chic-maracatu e até mesmo pessoal do trance e do forró...

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Vai Costurar Seu Parangolé!


Hélio querido, nessa véspera de Finados está triste porque queimaram os seus parangolés? Aposto que nem tanto. Ontem assisti o documentário Hélio Oiticica, ou H.O. (1979), de Ivan Cardoso. Depois da cena em que um sujeito vestindo sunga e parangolé se movimenta ao som de Simpathy for the Devil, dos Stones, Décio Pignatári narra: "O parangolé não era assim como uma coisa para ser posta no corpo e para ser exibida. A experiência da pessoa que veste, da pessoa que está fora vendo a outra vestir ou das que vestem simultaneamente a coisa são experiências simultâneas, são multiexperiências. Não se trata assim do corpo como suporte da obra, pelo contrário, é total incorporação. É a incorporação do corpo na obra e da obra no corpo".

É grave ver pelo menos mil obras do maior artista brasileiro do século 20 (foi divulgado que 70% serão recuperadas) irem para o saco, mas soa mercadológico tratar especialmente o trabalho de Hélio como se fosse a obra de um pintor ou escultor. "Trataram o Hélio com se fosse um artista renascentista, quando ele foi um criador de conceitos, de propostas, de intervenções, um artista do futuro, não de um passado neoconcreto, que ficou lá atrás [...]", disse Neville de Almeida, parceiro de Hélio em obras como "Cosmococa", ao jornal O Estado de São Paulo. "A destruição física das obras não significa, no caso de Oiticica, o fim desse trabalho, até mesmo porque ele via a atividade artística como uma atividade poética", completa o crítico francês Guy Brett . "Acho sintomático que a primeira informação logo após o incêndio tenha sido o valor dos prejuízos, em torno de US$ 200 milhões, como se o Oiticica fosse uma fábrica", finaliza o galerista Paulo Kuscinsky ao mesmo jornal.

Não fecho os olhos para esse churrasco. É uma grande perda. Claro. Mas, queimou, valorizou. Como bem sabe o mercado da arte. Portanto, vou é construir meu próprio parangolé e incorporar a obra, como propõe Hélio. Abaixo, o imperdível vídeo de Ivan Cardoso com participação de Caetano Veloso e Lygia Clark (repare nos figurinos e na calça de Jaspion de Oiticica no final da parte 2). Abaixo, também, o modelo de dois parangolés para quem quiser costurar um parangolé sob medida e eternizar a proposta de Oiticica.

H.O., de Ivan Cardoso (1979)


Belo texto de Luara Calvi Anic, do aparedelaranja, ex-livreira que indica: Hélio Oiticica - Qual é o Parangolé e Outros Escritos, de Waly Salomão (editora Rocco)


quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Rolos de Gonzologia Rapeiros


Um dos tipos profissionais mais maçantes de pessoas costumam ser os jornalistas (alô médicos, advogados etc). Feio ficar falando mal de profissão, ainda mais quando me refiro à minha própria - ou daquelas que um dia precisarei (precisei). Que lero-lero esse, pois eu só queria puxar o assunto pra falar de um jornalista, o finado Hunther S. Thompson (ou, como ele se atodenominava, Gonzo).

O sujeito era mestre em soltar opiniões atravessadas em grandes veículos da mídia americana e chegou até a abalar canditaturas de presidenciáveis e sua birra com Richard Nixon ajudou a abalar o prestígio do mandante de Watergate. Tudo isso era foguetado durante seu amor por substâncias químicas das mais diversas ("O éter é o maior perigo do homem"). Enquanto ainda tava vivo, Mr. Gonzo foi interpretado por dois grandes astros do cinema, Bill Murray (Uma Espécie Em Extinção) e Johnny Depp (Medo E Delírio).

E ele nem ficou famoso por causa disso. Sua abordagem politicamente incorreta em opiniões vinda da convivência com Hell's Angels, mexicanos ensandecidos ou brasileiros que o ligavam no meio da madrugada (o sujeito morou no Rio de Janeiro em 1962) ajudaram a forjar seu caráter. Thompson sabia fazer o meio de campo com artigos contundentes descendo a lenha em todo tipo de burrocracia, fosse ela vinda da direita ou da esquerda.

No fim da vida, antes de se auto suicidar-se a si mesmo com sua garrucha, estava numa fase decadente, escrevendo artigos esportivos pra ESPN. E isso ainda não é o fim, pois o rapper gonzo GNZ descolou uns amigos pelo mundo e gravou um disco temático sobre Hunther Thompson.

Chama Gonzo Tape e tem pra baixar aqui. A bolacha foi produzida pelo DJ Hellbound (Bélgica), som muito plural que conta com participações do mexicano Jotaka e dos americanos Rob D. & Mr. Pen.

Confira o videoclip de White Rabbit:



domingo, 8 de novembro de 2009

Faith No More - Sotaque Paraguaio e Ismar

Na onda da re-animação de bandas outrora terminadas, passaram grandes nomes do rock pelas maiores cidades do Brasil neste último fim de semana.

Em São Paulo ocorreram shows de Iggy Pop & The Stooges e Sonic Youth ao mesmo tempo que acontecia o Deftones e Jane's Addiction. No Curral del Rey, nenhuma destas veio, mas apareceu outro conjunto que lá estava e tem mais apelo com o público por aqui, mesmo sem lançar nada novo há mais de dez anos - o Faith No More. E parece que não é só pelos lados de cá, afinal fãs de algum país latino estenderam uma faixa em frente ao palco - gente que vai a todos os shows da turnê.

O Chega de Fé quis criar buxixo até mesmo em Belo Horizonte (pra vender ingresso pra 3.000 pessoas?) ao divulgar uma lista com suas exigências para tocar na cidade nessa turnê "The Second Coming":
- 12 Kinder Ovos;
- Meias pretas e brancas;
- Uma garrafa de mel orgânico;
- Frutas regionais e comidas locais;
- 2 pacotes de Baby Wipes (lenços umedecidos);
- Uma lista com todos os bordéis nas redondezas;
- Jornais internacionais (New York Times e The Sun, entre outros);
- Revistas pornôs - heterossexuais e gays

Mike Patton e sua trupe vieram a BH depois de 17 anos sem tocar nessa roça (14 no Brasil) e apresentaram um set pra agradar quem fosse ao show, fosse fã ou não - de Ricochet a Epic, não faltou um hit. Covers foram a introdução instrumental de Midnight Cowboy (vide vídeo logo abaixo), a 'nãopodia faltar pros fãs FM' Easy e um enxerto de Ela É Carioca na bossa nova deles, Caralho Voador - que o público vaiou. E com pura liberdade de zoar o que não gostou, pois ninguém saiu reclamando.


Pelo fato de se dirigir à platéia num português razoável e proferir animados palavrões em nossa língua; "Porra, caralho!", o vocalista-empresário e proprietário das 1000 vozes tinha o público na mão. Mesmo assim acabou bancando o paraguaio e arranhou portunhol na letra de Evidence (a música já havia sido gravada pela banda completamente em português, numa rádio brasileira em 1995). Aqui a versão do dia que pisaram na bandeira do Galo (verdade? nem vi isso):


No meio da tensa Midlife Crisis a banda pára tudo e num bate papo-informal, a platéia é provocada com um; "Vocês querem Madonna? Like a Virgin?" E volta pra pauleira pra terminar o rapcore das antigas.

Sem falar que ao sair do show, pra completar a sessão revival 90s, caminhando em direção ao cachorro quente mais próximo, sai um bando de gente no encalço do passo da lenda Ismar - eu tinha ouvido falar que ela nem viva tava mais. Até que um louco a chama de Tomate, provocando a amiga do Sepultura a correr e gritar pela Avenida do Contorno ver se vai ser convidada pro próximo show...

Set list do Faith no More em Belo Horizonte em 8 de novembro de 2009 - mais ou menos isso:

01) Midnight Cowboy (John Barry cover - instrumental)
02) The Real Thing
03) Land of Sunshine
04) Caffeine
05) Evidence (portunhol)
06) Surprise! You're Dead
07) Last Cup Of Sorrow
08) Ricochet
09) Easy (Commodores cover)
10) Epic
11) Midlife Crisis
12) Caralho Voador / Ela É Carioca
13) The Gentle Art of Making Enemies
14) King for a Day
15) Ashes to Ashes
16) Just a Man

bis:

17) Charriots of Fire/ Stripsearch
18) Mark Bowen

sábado, 24 de outubro de 2009

Alex 14 Beatbox - Insano

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Re-Lecturas del Mondo



Desde que este ser habita este planeta original, as pessoas insistem em remodificar o que já foi feito. E por quê não com a música?

Existem duas categorias para a regravação de uma canção conhecida em nova roupagem; a releitura e o cover, pastiche mesmo. Então escolhi doze relidas de umas músicas aí. Nada incrível fantabuloso, tem umas bem legais.


Desde as releituras que fazem arranjos rítmicos criativos em cima da versão original, tornando-a irreconhecível a competentes frankensteinização dos tempos.

Re-Lecturas del Mondo

01)
Rachid Taha - Rock el Casbah (The Clash)
02)
Aluminium Babe - Psycho Killer (Talking Heads)
03)
David Bowie - Cactus (Pixies)
04)
Social Distortion - Under My Thumb (Rolling Stones)
05)
The Strokes - Mercy, Mercy Me (Marvin Gaye)
06)
Beastie Boys - Time for Livin' (Sly And Family Stone)
07)
Rage Against The Machine - Renegades of Funk (Afrika Bambaataa)
08)
William S. Burroughs - Is Everybody In? (The Doors)
09)
The Raveonettes - C'mon Everybody (Eddie Cochran)
10)
Of Montreal - Jimmy (M.I.A.)
11)
Foo Fighters - Down in the Park (Gary Numan)
12)
Kiss - Do You Remember Rock'n'Roll Radio? (Ramones)

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quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Fadarobocoptubarão - Força Doberman (EP)


Final de 2008 fui num show dessa banda e lembro que me incomodou. Nem tanto quanto outro grupo onde eu literalmente passei mal, que foi o show do Grupo Porco de Grindcore Interpretativo (por um acaso ambas têm o mesmo guitarrista, o Porquinho, que também foi fundador do finado U.D.R.). Mesmo assim, fiquei sem entender e com uma pulga atrás da orelha - ali tinha algum imã audível e estranhamente impregnante aos bons ouvidos de quem curte um Battles, um Refused ou um Corrosion of Conformity.

Daí, faz pouco tempo, apareceu a primeira bolachinha do Fadarobocoptubarão, um EP denominado Força Dobermman. Vem aos ouvidos como uma despretensiosa conversa bateria-baixo-guitarra, sem lero-lero e sem sussurro humano algum. Faixas curtas com andamentos imprevistos, microfonia no grau e detonação rasgada - sente o compasso pedreiro de Samba do Rinoceronte e vê se dá uma liga.

Nos títulos das canções, nomes tão esdrúxulos quanto a alcunha da banda - e pra quê flores nas palavras se aqui elas não existem? E como diz lá no release, "só as bandas medíocres são melhores gravadas".

Treck-lista e download Fadarobocoptubarão - Força Doberman:

1) Metalêra Dragão Aguia
2) Receita de Pudim de Leite Condensado
3) Viradinha
4) Samba do Rinoceronte
5) Destrói Sua Face
6) Tsunami de Porra


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domingo, 27 de setembro de 2009

Tupy Or Not To Be - Beyond Ipanema


Esses dias assisti o trailer de um filme chamado Beyond Ipanema, sobre música brasileira. Começa com uma frase emblemática do eterno ex-Talking Heads, David Byrne:

"Este é um país em que o principal item de cultura de exportação, por várias décadas é a cultura. Não se pode dizer isso de muitos países."

E há outros estrangeiros de peso compartilhando opiniões elogiosas sobre a tal MPB. De Thievery Corporation a Devendra Banhart, não podia deixar de ter uns medalhões brasileiros. Gil, Cansei de Ser Sexy, tudo lá. Parece ser um filme bacana - ao menos o tema promete. Olha só:



Agora, falar um pouco do liquidificador sonoro que tem pra Tupy. Desde ska paulêra com vocalista de terceira idade, rap de perifa com batida oriental, forró em francês e japonês, bossa nova em inglês e até canção ufanista feita na Espanha.


Bem, como já escrevi a série de textos Les Tupiniquins From Gringolândia, 1, 2 e 3 sobre o tema, deixar aqui a coletânea quase homônima Tupy Or Not To Be - Beyond Ipanema:

01) Think Of One - Caranguejo
02) Jean Constantin - Pas Tant de d'Chichi Ponpon
03) Asian Dub Foundation - 19 Rebellions (com Edy Rock)
04) Nation Beat - Gabriel The Butcher
05) Scott Hard - Toada de Cavalo Marinho
06) Fabulous Trobadors - Cançon de la Prima
07) Peeping Tom - Caipirinha (com Bebel Gilberto)
08) Manu Chao - Minha Galera
09) Forró in the Dark - Paraíba (com Miho Hatori)
10) Faith No More - Caralho Voador
11) Moussu T E Lei Jovents - O Que Calor!
12) Beck - Tropicalia
13) Macaco - Brasil 3000 (com B-Negão e Nação Zumbi)




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segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Gainsbourg Imperial (bootleg)


Os brasileiros que são fãs de Serge Gainsbourg devem ter ficado sabendo que rolou um tributo ao ícone da canção francesa aqui no Brasil no princípio deste mês. E do caldo de fãs duros, pouca gente (assim como eu) deve ter ido pra Sampa ver o show. Então, vem que me aparece o disco todo na íntegra para nosso deleite. E por que não, até de quem foi ao show? Alguém lá da mesa de som gravou tudo bonitinho pra gente.

Pra quem não sabe como isso veio a acontecer, quem fez o corre do processo foi a Orquestra Imperial e o pessoal do +2 (a panela muderna e atuante da mpb jovem) . Logo o show denominou-se Gainsbourg Imperial, contou com a regência de Jean-Claude Vannier, maestro do clássico álbum Melody Nelson. Além, claro, das participações da viúva (não a última, porém a mais presente ex-mulher do mito) Jane Birkin e Caetano Veloso.

Eu havia conseguido baixar o disco no formato ".FLAC" vide link do Alexandre Matias, mas como tô com pouco espaço nos HDs e não tenho paciência com arquivo grande demais, converti pra ".MP3" e vim compartilhar com os leitores de canhotagem o mais novo exemplar de bom bootleg feito no Brasil.

Ah, e quem quer ver imagens bacanas em homenagem à Gainsbourg, há um blog só disso e se chama Draw Serge! - vale a pena conferir (essa imagem mesmo é parcialmente desapropriada de lá e do poster desse show aqui no Brasil)

Portanto, ninguém nem precisa fazer goma de direitos autorais, porque esse disco não existe. Ao menos por enquanto. Clica no título e depois aperta download:

Gainsbourg Imperial - 04 set 2009 - Teatro Paulo Autran - São Paulo

01. Les Chemins de Katmandu (03'51)
02. Comic Strip (03'15)
03. Contact (03'17)
04. L'amour en Privé (02'59)
05. Commment te Dire Adieu (02'36)
06. Ah Melody (03'05) *
07. Ballade de Melody Nelson (02'21) *
08. Insoluble (04'23)
09. Slogan (02'58) *
10. Bonnie and Clyde (05'31)
11. Harley Davidson (02'54)
12. Cannabis (02'47) *
13. Fuir de Bonheur (03'24)
14. Je Suis Venu te Dire que Je m'en Vais (05'50)
15. Baudelaire (05'40)
16. Theme 504 (03'01) *
17. New York USA (04'11)
18. Couleur Café (03'12)
19. Les Sambassadeurs (03'16)
20. Requiem Pour un Con (04'24)
21. La Javanaise (01'48)

Todas as músicas compostas por Gainsbourg, exceto * compostas por Vannier.

E pra quem não assistiu à entrevista da Jane Birkin no Jô Soares - nem é grandes coisas, mas consta. Tá aí o papo do Gordo com a atriza britânica.