quinta-feira, 12 de julho de 2007

Les Tupiniquins From Gringolândia 02

Seria muita pretensão de nós brasucas pensarmos que o movimento antropofágico foi feito só pra gente. Claro que a gringaiada que vem aqui acaba deglutindo esta idéia também. Nos mares de outrora, aqui por nossa costa os corsários faziam comércio entre os tapuias. Hoje em dia o que era escambo ocorre através da cultura, e quando o assunto é música, há exemplos bem diversificados.

A banda belga de world music Think of One, durante três discos mesclou ritmos anglo-saxônicos (ska, rock, jazz) com música marroquina. Para isso, viajaram ao norte da África e recrutaram músicos tarimbados para a mescla oriente/ocidente. Agora, nos dois últimos discos, converteram seu foco para a música brasileira de raiz à sua pancada de direções, sem perder o rumo. Vieram ao Brasil e conseguiram a participação de uma grande cantora, desconhecida do público em geral, aparecida alguns anos atrás no disco de estréia do Instituto, a Cila do Coco, que canta as melhores músicas tanto no disco Chuva em Pó (2004), quanto em Tráfico (2006), respectivamente Caranguejo e Tira Onda, esta última, uma bem-humorada tirada de sarro THCzística.

Reconhecida no meio trip-hop internacional, o Wax Poetic é outra banda que agora vem até nossa fonte beber com a gente. Já tiveram Norah Jones como interpréte no álbum anterior, o que lhes deu uma certa iluminada no mundo pop. Assim como o Think of One, o Wax Poetic também é experiente em mesclar sons orientais/ritmos excêntricos a sua sonoriade e agora lançaram um disco com parcerias brasileiras, Wax Poetic Brasil (2007). Porém, as participações deste álbum são mais substanciais e de um modo mais presente no disco, como Otto, que participa de três canções, e Mamelo Sound System, além dos citados no texto anterior Bebel Gilberto e Forro in the Dark.O disco ainda recebe umas pitadas de uma tendência que vem assolando a música descolê brasileira, que é o brega, latente na bem-humorada Bombeiro, com Gilmar (de onde veio esse Gilmar?).

Ah, a paixão de Kurt Cobain por Mutantes pode ter sido um dos motivos dessa cartada dinossáurica nos moldes gringos ter acontecido com nossos Very Naice Pra Xuxu. Como assim? Isso mesmo, quando tocou aqui naquele festival de rock que acontecia todo início de ano em São Paulo e Rio de Janeiro, ele apelou em vão para que os integrantes da banda retornassem. Logo deu um tiro na testa, mas ao menos tinha levadopra casa uma pancada de vinil, que aplicou no pessoal do Sonic Youth, Sean Lennon (filho do homem) e Beck (este logo gravou um disco com o sugestivo nome Mutations , que possuía a bossanovística música Tropicalia). Só pra ter noção de como os indies gringos babam ovo do Mutantes, é que quando o Belle & Sebastian tocou Minha Menina aqui, não foi a versão em inglês (nem a de Jorge Ben), não é que tentaram tocar a música direitinho? Melhor que a Zélia Duncan, ah se foi...

Outros que têm a ver com essa onda mutantística, os Beastie Boys e seu produtor brasileiro, Mário Caldato Junior, são aficcionados é em Jorge Ben mesmo. Nos dois últimos discos deles, sente-se berimbau sampleado no rap Hey Fuck You, um título Suco de Tangerina, numa das peças desse último disco instrumental, além de apitos e andamento escola de samba em canções jazzísticas. Jazz? Tem também os guitarristas Charlie Byrd, John Pizzarelli, o cantor e trumpetista Dizzy Gillepsie e mais um monte de gente que eu não conheço e é fanático por música brasileira. Bem, deu pra cansar né? Enjoou não? então comenta aí.

3 comentários:

Marília disse...

THCzística ahoeiuhAOIehOAIE adorei isso!

e nem sabia dessa regravação do belle e sebastian.. mmm vo procurar

consumoeusopaixoes disse...

adorei!!!

jão disse...
Este comentário foi removido pelo autor.