terça-feira, 13 de novembro de 2007

A Pan-Montanha (Deus é Mexicano?)

Quando eu ainda vestia fraldas (não literalmente) os únicos cantores que eu tinha ouvido falar eram John Lennon e Luiz Gonzaga. Depois, quando eu já era quase punk/metal fiquei sabendo daquela revelação do beatle mais queridinho; Que eles eram mais famosos que Jesus.

Aí quando a gente fica sabendo por qualquer um que é fã da banda mais famosa de todos os tempos que os Beatles acabaram por causa da Yoko Ono, ela fica com jeito de bruxa oriental. Quer sabotagem maior? A maior performance da vida da japa. Mesmo que a história não tenha sido bem assim, ficou sendo. (Por um acaso, esse ano ela lançou um disco cheio de participações especiais bem legais, desde Peaches, Le Tigre a The Flaming Lips).

Bem, mas agora eu não vou falar de Yoko Ono e nem de música especificamente. Vou falar de um produto insano que veio da grana que tanto o Rei Roberto Carlos, quanto nossos pais e avós, que torraram em discos dos Dê Besouros, logo ali depois que a banda acabou.

Em 1970, o polêmico diretor Alejandro Jodorowsky, então residente no México, consegue uma aproximação com o casal mais evidente do mundo naquela época, que pira com o filme que ele tinha acabado de finalizar, o faroeste psicodélico El Topo. Pronto, John eYoko cismam de bancar o lançamento do filme nos Estados Unidos, num horário para cinema que acabaria se imortalizando como ícone dos malditos; A Sessão da Meia-Noite.

Se deu retorno financeiro eu não sei. Sei que El Topo deu fôlego pra que até mesmo Allen Klein, o empresário da maior banda de rock de todos os tempos fosse recrutado por John Lennon pra ser produtor do próximo trabalho de Jodorowsky, o megalomaníaco Holy Mountain. Um filme tão ou mais polêmico que O Cão Andaluz, feito ainda na década de 20 por Luiz Buñuel e Salvador Dalí.

Será? Holy Mountain extrapola sua abordagem impactante atirando pra todo lado. Desde Jesus, sexismo, críticas sociais, preconceito, violência e tarot. Forte como nunca visto até então numa super-produção tão bem cuidada como aquela. Deve ser um dos motivos pelo qual foi banido em todo mundo por mais de 30 anos e agora em 2007 foi relançado em cópia digitalmente restaurada. Além de ser referência para gente do calibre de David Lynch e dos irmãos Joel e Ethan Coen ou Peter Gabriel (Marilyn Manson não conta).

Faço também uma conexão tupiniquim, pra quem se liga em Tropicália e contra-cultura brasileira. Arrisco que Jodorowsky é o irmão cineasta de José Agrippino de Paula, o recém-falecido escritor do clássico Pan América.

Curioso notar que esse é um filme dirigido por um diretor chileno, descendente de judeus-russos que viveu sua formação artística em Paris. E que lá ele tomou contato com o livro do surrealista René Daumal, O Monte Análogo: Uma Novela de Autênticas Aventuras Não-Euclidianas, que posteriormente deu origem a Holy Moutain, produção mexicana bancada por um rock star inglês. Mais mundializado, naquela época, difícil. Em 1973, deve ter sido algo bem incomum para a produção mais cara da história do México, (na época, U$1.5000.000,00).

Pra quem curte coisa do naipe de Laranja Mecânica ou filmes de não assistir com a família, vale a conferida. E quem não viu o trailer, tá esperando o quê? Gostou, baixa o torrent com os extras do DVD gringo, pois vale a pena.




3 comentários:

ca. disse...

OI jõao.. bão??
logo fui lendo e ja quis fazer um pedido então..reserve espaço próximo pra dizer de yoko?

!!
bjos
atee

Luiz Navarro disse...

que surrealismo? que salvador dalí? que cão andaluz que o quê!?

pfff...

jodorósqui é psicodelia levada a sério.

Felipe disse...

Tomara lancem aqui no Brasil "Fando & Lis", "El Topo" e este aqui...